Antes de visitar casas ou pedir uma simulação ao banco, há um número que decide quase tudo: a taxa de esforço. É a fatia do rendimento líquido do agregado que vai para encargos com créditos. Em Portugal, os bancos seguem as recomendações do Banco de Portugal e raramente aprovam crédito habitação quando esse valor ultrapassa os 35% a 40%.
Como se calcula
Some todas as prestações mensais de créditos — habitação, automóvel, cartões e crédito pessoal — e divida pelo rendimento líquido mensal do agregado. Multiplique por 100. Se ganha 1 800 € líquidos e prevê uma prestação de 540 €, a sua taxa de esforço é de 30%.
- Até 35%: zona confortável, com margem para imprevistos.
- Entre 35% e 40%: ainda aprovável, mas o banco analisa tudo ao pormenor.
- Acima de 40%: dificilmente passa sem fiador ou entrada maior.
O que o banco vê para além da prestação
A taxa de esforço não conta sozinha. A instituição avalia também a estabilidade do vínculo laboral, o histórico no Banco de Portugal, a poupança que sobra ao fim do mês e o valor da entrada que consegue dar. Dois agregados com a mesma taxa podem ter respostas diferentes consoante a almofada financeira de cada um.
Como baixar a taxa antes de avançar
- Liquidar créditos pequenos, sobretudo cartões e revolving, que pesam muito na conta.
- Aumentar a entrada para reduzir o capital financiado e, logo, a prestação.
- Alongar ligeiramente o prazo — baixa a prestação, mas encarece o juro total.
- Juntar um segundo titular com rendimento estável ao processo.
Faça as contas com um valor de prestação realista, já com a subida possível da Euribor, e só depois comece a procurar casa. É a melhor forma de evitar paixões por imóveis que o orçamento não suporta.